sábado, 13 de fevereiro de 2016

Cores de um Itinerário - Memorial






MEMORIAL[1]


Prof. Faustino Luiz Couto Teixeira
Departamento de Ciência da Religião
Universidade Federal de Juiz de Fora
Novembro 2014[2]












Memorial

Faustino Luiz Couto Teixeira
PPCIR-UFJF


Coisa mais desafiadora é escrever sobre a própria vida. Como sublinha Suely Rolnik, “escrever é traçar um devir. Escrever é esculpir com palavras a matéria prima do tempo”[3]. Na vida estamos de tal forma engolfados que fica difícil destacar-se para deixar a criança falar. Digo criança, pois esse é o sentimento que vivo. Guardo ela dentro de mim, procuro mantê-la viva e acesa, com as cores da alegria e da esperança. E gostaria de começar citando um poeta querido, Mário Quintana:

            A vida é uns deveres que nós trouxemos para
                  Fazer em casa.
                  Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
                  Quando se vê, já é sexta feira...
                  Quando se vê, passaram 60 anos!
                  Agora, é tarde demais para ser reprovado...
                  E se me dessem – um dia – uma outra
                  Oportunidade,
                  Eu nem olhava o relógio
                  Seguia sempre em frente...

            No limiar dos 60 anos passo a escrever sobre as cores de minha vida, toda uma história tecida com o ritmo da acolhida e da alegria. Um repertório singular que se inicia numa casa mineira, na cidade de Juiz de Fora, no bairro do Alto dos Passos. Os pais vinham de outro lugar, de Bom Despacho e Belo Horizonte, mas firmaram morada nesta cidade, conhecida como a Manchester Mineira. Na casa que ainda existe começaram com muita luta, mas muito amor. Como frutos da união, quinze filhos, dos quais dez eram homens. Eu, o nono daquela cadeia, nascido numa madrugada de 2 de julho de 1954. Fomos todos educados com muito carinho, embalados por forte tradição católica. Os pais, Mozart e Célia, vinham de movimentos tradicionais da igreja e reverberavam nos filhos os valores mais sólidos dessa atmosfera cristã. O clima humanístico refletia-se por toda parte. O traço humanista estava também na ampla biblioteca da casa, que ocupava dois cômodos, com grande maioria dos livros vinda das áreas de filosofia, teologia e literatura. Naqueles espaços resguardados foram sendo gestados os meus primeiros amores na área das humanidades.

            Dá para imaginar que não foi fácil educar tantos filhos com os parcos recursos da renda familiar. A vida era dura para o meu pai, médico que começava sua carreira nesta tradicional cidade mineira. Desdobrava-se como podia para dar conta de todos os atendimentos, seja na Fábrica São Vicente – uma fábrica de cobertores -, seja na Santa Casa de Misericórdia, onde inaugurava um serviço cardiológico. Mas era mesmo um médico de família, com um carinho sempre muito especial para com seus clientes, tratados – como se dizia – com “fé, esperança e cafuné”. Minha mãe também era muito especial, e tinha o dom das artes. O atributo para declamar poesias vinha de sua experiência na Escola Normal de Belo Horizonte, onde nasceu, reconhecida e acolhida ali por todos como alguém muito especial.

            O traço religioso sempre esteve muito presente na vida familiar, mas era também um componente vivo na cidade de Juiz de Fora, que vinha brindada pela presença de alguns importantes marcos referenciais. Na época em que era menino, ali pelos idos dos anos de 1950 e 1960, algumas importantes congregações e ordens religiosas marcavam sua presença na cidade. No alto de uma das colinas, a referência viva dos dominicanos, com sua escola apostólica e o coral de vozes cristalinas. Minha infância veio marcada pelos encontros e celebrações que ali aconteciam, junto aos frades tão queridos, entre os quais Frei Alano Porto de Menezes. Muita festa e alegria, passeios e diversão na chácara que os dominicanos mantinham lá no alto, bem junto ao Cristo da cidade. Ali perto dos dominicanos, a casa das irmãs carmelitas e também das beneditinas. Com as carmelitas, em especial, pude encontrar abrigo tantas vezes, e já na adolescência participar ativamente de celebrações que não escapam da memória. Foi naquela casa de hospitalidade que pude conhecer algumas santas, como a irmã Maria Amada e também a irmã Terezinha, que apontavam para nós um rosto tão diferente do catolicismo, tecido por delicadeza, alegria, profetismo e santidade. Na abadia das beneditinas, também no alto de uma colina, o aprendizado da prática litúrgica. Desde cedo, como coroinha, adentrava-me, ainda meio estupefato, nos mistérios do sagrado, entre os aromas do incenso e a beleza do cantochão. A presença de uma tia paterna entre as beneditinas, com seu sorriso solar e sua acolhida singular, traziam um colorido todo especial a esta inaugural experiência de fé. Recordo-me também que nos momentos mais sombrios, das crises existenciais da adolescência, foi junto a ela, a tia e madre Eugênia, que encontrei a mais profunda hospitalidade. Junto à Igreja da Glória, estavam também os padres redentoristas, que igualmente marcaram minha trajetória. Meu pai era médico de muitas comunidades religiosas da cidade, entre os quais os redentoristas. Clássicas eram as viagens para a visita médica nos seminários menor e médio dos redentoristas na cidade de Congonhas do Campo. Meu pai, acompanhado por pe. Jaime Snoek na direção, seguia naquela velha rural para o atendimento dos meninos seminaristas naquela histórica cidade mineira. Levava sempre consigo alguns dos filhos. Eu não perdia oportunidade de viajar com eles. Isso acontecia, em geral, durante a semana santa. Um dos seminários ficava ali na praça central, bem pertinho dos profetas de Aleijadinho. Guardo com carinho tantas imagens desta época, em particular aqueles enormes dormitórios, regidos por legislação rígida. Era também período de muita festa, com a banda dos seminaristas, os jogos de futebol, além de muita reza. Dos redentoristas também, aquele lindo seminário no bairro da Floresta, já na saída da cidade para Bicas. Quantas recordações daquele espaço especial de gestação acadêmica dos religiosos de Santo Afonso: seu seminário maior. Ainda criança, tive a oportunidade de estar ali muitas vezes, entretido com a alegria daquela comunidade em processo de formação. A imagem daqueles religiosos de batina escura, contidos na oração comum durante as refeições ou nos horários de estudo, naquelas mesas antigas, que guardavam os pesados livros e cadernos de formação teológica e filosófica. Tudo isso levo comigo e vibra na memória. Com a crise religiosa que acompanhou o Concílio Vaticano II, no final da década de 1960, muitos desses religiosos vieram compor o Departamento de Filosofia e de Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, dentre os quais alguns que estiveram na base de minha formação, como pe. Jaime Snoek, Raimundo Evangelista e Vitorino Duarte, além de outros que se tornaram amigos queridos, como o pe. Wilson Cadete.

            Durante todo o meu processo de formação acadêmica estive com os jesuítas. Depois da pré-escolarização no colégio da Santíssima Trindade, ingressei no Colégio dos Jesuítas, sempre em Juiz de Fora. Isso aconteceu na primeira série primária. Daí em diante, até o pós-doutorado, todo o meu crescimento acadêmico se deu  junto aos padres da Companhia de Jesus. Durante os dois primeiros anos do estudo secundário, tinha intenção de fazer medicina, seguindo os rumos da família, onde o pai e dois irmãos já se encaminhavam para esta inserção. Mas no final do segundo científico, aconteceu uma mudança de rumo, com a decisão de fazer história. Isso implicou uma mudança para o terceiro clássico, num redimensionamento dos estudos. Foi uma verdadeira descoberta, encontrando ali um espaço de identificação imediata. Tudo muito favorecido pela riqueza do corpo docente, com alguns professores que marcaram minha vida: Gilvan Procópio (Português e Literatura), José Paulo Neto (Literatura); Maria José Feres e Maria Inês (História). Recordo-me também a presença de alguns colegas com excelente perfil intelectual, que depois ganharam expressão pública, como Luiz Dulci, que atuou no ministério do presidente Lula. Minha intenção era fazer o vestibular para História, mas tinha também muito carinho pela Filosofia. Resolvi então durante o terceiro ano, junto com o cursinho pré-vestibular, fazer parte do curso de Filosofia no Seminário Arquidiocesano de Juiz de Fora. Consegui conciliar as duas atividades, sem problemas. No Seminário fui aluno de alguns clássicos professores da cidade, como Henrique Simões (História da Filosofia), Henrique Hargreaves (Sociologia) e meu pai, Mozart Teixeira (Ética). Entre os colegas de curso, alguns nomes que se destacaram na vida pastoral, como o atual arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor de Oliveira.

            Ao longo do terceiro ano clássico acabei decidindo prestar vestibular para Filosofia na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Entrei na Universidade no início de 1974, num momento muito difícil da vida nacional. O país vivia tempos sombrios, e as mínimas manifestações públicas eram vistas como ameaça à ordem pública. As reuniões ou articulações da juventude eram sempre motivo de desconfiança ou temor. Nada porém que impedisse caminhos alternativos de reflexão e artimanhas para driblar o cerco repressivo. Foram tempos de rico debate acadêmico, encontrando apoio importante em vários professores do curso, com os quais estabeleci laços duradouros. Faço aqui menção a alguns nomes: Joel Neves, Raimundo do Carmo, José Eustáquio Romão, Rubem Barboza Filho e Jaime Snoek. Com esse último professor, amigo da família, as ligações foram ainda mais aprofundadas. Fui seu monitor, nas cadeiras de ética geral e ética sexual, durante alguns anos, tendo ajudado na confecção da primeira edição de seu clássico livro: Ensaio de Ética Sexual (com posterior publicação pela editora Paulinas, em 1981).

            O curso de filosofia funcionava no período da manhã. Ocorre que nesta mesma época começava a funcionar o curso de Ciência das Religiões, no período noturno. Eu e outros companheiros de filosofia, acabamos sendo favorecidos por essa coincidência, tendo a possibilidade de cursar as duas graduações simultaneamente. O meu compromisso com a Ciência das Religiões[4] foi se aprofundando a ponto de decidir, de certa forma, os rumos de minha opção de vida. Ali encontrei professores generosos, acolhedores e especiais, entre os quais Wolfgang Gruen, Henrique Oswaldo Fraga de Azevedo, Vitorino Duarte e Henrique Guglielmi. Foi também um momento propício para o aprofundamento da teologia da libertação, que na época estava nascendo, e que encontrou no prof. Jaime Snoek, que também lecionava na Ciência das Religiões, um de seus importantes incentivadores. Foram muito ricas as suas aulas sobre o livro “Teologia da Libertação”, de Gustavo Gutiérrez, que acabava de ser publicado no Brasil. Isso em 1975. Exerci também por anos a tarefa de representante discente deste novo curso nas reuniões departamentais.

            Durante o período de meus estudos superiores, tive também o privilégio de participar de um grupo de universitários, em âmbito nacional, que se reunia sob a orientação do teólogo e padre jesuíta, João Batista Libânio. O grupo ganhou um nome curioso, “Tropa Maldita”, em razão de sua dissonância com os grupos juvenis de igreja atuantes na ocasião. Durante vários anos, em encontros periódicos aqui em Juiz de Fora, Belo Horizonte ou outras cidades vizinhas, nos reuníamos para discutir temas de várias áreas de conhecimento: filosofia, teologia, ciências sociais, artes etc. Mesmo no clima adverso da política nacional, esses encontros serviram de campo privilegiado de formação acadêmica, intelectual e espiritual. Criaram-se laços essenciais de amizade e um impulso para uma atuação importante, de valores assegurados, nos campos de atuação profissional e pastoral. Foi nesse grupo que encontrei minha companheira de vida, Teita, com a qual partilho com alegria minha experiência há mais de 36 anos, numa família que cresceu com a presença de quatro filhos homens.

Quando estava no segundo ano de Filosofia, em 1976,  veio o convite para lecionar num colégio tradicional da cidade de Juiz de Fora, a Academia de Comércio, sob responsabilidade dos padres verbitas (SVD). Foi uma experiência muito rica: dois anos de ensino numa cadeira de Formação Humana e Cristã. Na ocasião, o reitor, pe. Benito Falqueto, liberou nossa função em sala de aula, inaugurando um caminho diferente de atuação junto aos discentes, com a formação espontânea de grupos de reflexão e práticas artísticas. Foi assim que nasceram grupos singulares, envolvendo os alunos interessados no debate sobre a realidade brasileira, com equipes distribuídas para as discussões nesse campo, ou em outros mais ligados à pastoral como os círculos bíblicos e demais temas de interesse dos discentes. Como expressão do trabalho, envolvendo agora o teatro, algumas peças foram apresentadas, algumas com grande sucesso, como Morte e Vida Severina, com os arranjos musicais originais elaborados por Chico Buarque de Holanda. Foi a minha estreia em direção de teatro. Como traço novidadeiro, nos debates que aconteceram em torno do grupo de teatro (GTA), a introdução de técnicas corporais e reflexões associadas ao tema do teatro do oprimido, de Augusto Boal.

Ainda no período dos estudos universitários, participei de outro fórum de vivência, partilha e debates, ligado aos padres dominicanos, em vários encontros realizados em Juiz de Fora, São Paulo e Rio de Janeiro. O momento era muito simbólico para a ordem dominicana, depois da saída da prisão dos três frades, Betto, Ivo e Fernando. Foi a oportunidade de conhecer e aprofundar novas relações e tecer horizontes de vida. Lembro-me da presença amiga de alguns frades, como Sérgio Lobo, Paulo Cesar Botas, Márcio Couto, Betto e Ivo Lesbaupin. O tempo da Universidade foi também ocasião de muita participação e criação cultural. Foi a época em que atuei por anos num grupo musical, denominado “A Pá”, que fez um relativo sucesso em Juiz de Fora, com apresentação em festivais importantes, divulgando nomes singulares da Música Popular Brasileira, entre os quais, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Chico Buarque de Hollanda e Sérgio Ricardo.

            Uma vez concluído os cursos de filosofia e ciência da religião, em 1977,  surgiu a possibilidade de dar continuidade aos estudos de pós-graduação na PUC-RJ, agora na área de teologia. O estímulo mais decisivo para esse encaminhamento veio do amigo querido, João Batista Libânio, que na época lecionava na mesma instituição no Rio. Com ele nasceu o estímulo para dar continuidade aos estudos. O processo de transferência para o Rio não foi tão fácil, encontrando resistência em setores da igreja local de Juiz de Fora, que atritavam com o curso de Ciência das Religiões da UFJF. Na ocasião, o Departamento de Teologia da PUC-RJ solicitava a todo candidato leigo ao mestrado de teologia uma carta da Diocese de origem, com a indicação precisa do trabalho exercido na igreja. O bispo de Juiz de Fora, dom Geraldo Maria de Moraes Penido, recusou-se a fornecer a carta por razões ideológicas. Por sorte, o então diretor do Departamento de Teologia da PUC-RJ, pe. Álvaro Barreiro, aceitou como comprovação de minha atuação na pastoral da cidade, cartas de outros religiosos da cidade, como a dos dominicanos frei Domingos Maia Leite e Alano Porto de Menezes, sinalizando o meu trabalho de assessoria junto ao jornal Evangelizar, da mesma diocese. Vencido este obstáculo, parti para o Rio de Janeiro no início de 1978, logo depois da cerimônia de meu casamento, ocorrido em fevereiro do mesmo ano.

            No Rio de Janeiro conjuguei duas atividades distintas: o curso de mestrado em teologia na PUC-RJ e a atividade de magistério, tanto na PUC-RJ como na Universidade Santa Úrsula. Fui contratado para lecionar no setor de Cultura Religiosa da PUC-RJ – vinculado ao Departamento de Teologia, e também no curso de teologia da Universidade Santa Úrsula. Minha entrada no Departamento de Teologia da PUC-RJ ocorreu em março de 1978, que na ocasião vinha dirigido pelo jesuíta, pe. Álvaro Barreiro, também responsável pela disciplina de eclesiologia. Depois de aprovado no exame complexivo tive que fazer várias cadeiras da graduação em teologia para complementar a formação teológica. Isso se deu simultaneamente com a presença nas aulas do mestrado em teologia sistemática. Levava-se uma média de quatro anos para a conclusão do mestrado naquele tempo. E tudo deu muito certo, facultado também pela presença de um excelente orientador de trabalho que foi o jesuíta João Batista Libânio. O tema de minha dissertação expressava a atenção teológica do tempo: “Comunidade Eclesial de Base: elementos explicativos de sua gênese”, e a defesa aconteceu em fevereiro de 1982, tendo como membros da banca os professores: João Batista Libânio (PUC-RJ - orientador), Antônio da Silva Pereira (PUC-RJ) e Jaime Snoek (UFJF).

            A imagem que tenho da formação teológica recebida nesse período é das mais impactantes. Mesmo numa conjuntura eclesiástica local sombreada, o Departamento de Teologia da PUC-RJ favoreceu uma formação acadêmica arejada e ousada, em profunda sintonia com a teologia da libertação. O corpo docente do período era muito aberto e de grande competência tanto no âmbito da teologia bíblica como da teologia sistemática, que eram as duas áreas de concentração disponibilizadas para a formação discente. No meu caso, escolhi a formação na área de teologia sistemática e ali encontrei excelentes professores: João Batista Libânio, Clodovis Boff, Felix Pastor, Alfonso Garcia Rúbio, Ulpiano Vazquez, Carlos Palácio, Mário França de Miranda, Antônio Moser e outros. Para o enriquecimento da reflexão bíblica veio também o importante aporte das disciplinas oferecidas por Gabriel Selong. E nas cadeiras eletivas tive a presença de outros docentes, entre os quais Pedro Ribeiro de Oliveira e Francisco Cartaxo Rolim. Ou seja, um corpo docente de primeira grandeza, de presença nacional e significativa produção intelectual.

            O processo de interlocução acadêmica foi também favorecido pela presença de um corpo discente muito singular. Foi um período que propiciou, talvez de forma original no Brasil, um grupo de teólogos leigos que se firmaram no campo teológico nacional: Maria Clara Bingemer, Tereza Cavalcanti, Ana Maria Tepedino, Paulo Fernando Carneiro de Andrade, Margarida Brandão e eu também, junto com essa turma. Registro ainda a presença de outros alunos, que estavam entre nós, como os jesuítas Marcelo Perini e Inácio Neutzling – que hoje dirige o Instituto Humanitas da Unisinos[5]. Curiosamente, num circuito eclesial mais reticente, brota um ramo teológico leigo, de formação acadêmica aperfeiçoada, com sensibilidade social aguçada e viva atuação pastoral. 

            Os temas relacionados com a teologia da libertação e a práxis pastoral na América Latina estavam presentes como luz nas disciplinas em curso naquele dinâmico período, do final dos anos 1970 e inícios de 1980. Se voltamos nosso olhar para a publicação dos docentes da PUC-RJ naquele período vislumbramos esse influxo: João Batista Libânio. Discernimento e política. Petrópolis: Vozes, 1977; Alfonso Garcia Rubio. Teologia da libertação: política ou profetismo? São Paulo: Loyola, 1977; Álvaro Barreiro. Comunidades eclesiais de base e evangelização dos pobres. São Paulo: Loyola, 1977; Clodovis Boff. Teologia e prática. Teologia do político e suas mediações. Petrópolis: Vozes, 1978; Mário de França Miranda. Libertados para a práxis da justiça. A teologia da graça no atual contexto latino-americano. São Paulo: Loyola, 1980; Félix Alexandre Pastor. O reino e a história. Problemas teóricos e práticos de uma teologia da práxis. São Paulo: Loyola, 1982; João Batista Libânio. Teologia da libertação. São Paulo: Loyola, 1987. Na própria nomenclatura de disciplinas oferecidas no mestrado estava presente essa preocupação de sintonia com o tempo, de escuta aos sinais da história: A fé e a práxis do cristão de hoje; Comunidade eclesial de base; Igreja e mundo; Religiosidade popular etc. E uma reflexão teológica que se colocava à escuta da mediação das análises sociais, entendida como exigência fundamental para a práxis da fé. A título de exemplo, sublinho a presença de Clodovis Boff e de sua instigante reflexão naquele período. Ele acabava de voltar de seu doutorado em Louvain (Bélgica), sob a orientação de Adolphe Gesché, e partilhava com seus alunos o rico resultado de seu trabalho, em torno da metodologia da teologia da libertação. O seu livro sobre o tema, Teologia e prática[6], virou objeto dos cursos, mas também de grupos de estudos entre os alunos da pós-graduação em teologia naquele período. As aulas fervilhavam esse entusiasmo pastoral, essa preocupação com a práxis e o desafio de um compromisso cada vez mais efetivo com o futuro da Igreja na América Latina. Tempos muito interessantes.

            Registro também naquele novo momento de trabalho, exclusivamente na docência teológica, a riqueza e o entusiasmo do corpo discente. Além de seminaristas de dioceses do estado do Rio, como Volta Redonda, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, um número importante de leigos atuantes em pastorais sociais e nas comunidades eclesiais de base. Tudo dava um calor muito especial às aulas e aos debates realizados. Com o tempo, o departamento também abriu suas portas para os alunos evangélicos, ampliando o campo da pluralidade nos debates e reflexões em curso. Lembro-me que foi num dos últimos cursos ministrados no departamento, no final da década de 1980, com essa riqueza plural entre os discentes, que se deu minha inscrição na reflexão sobre teologia das religiões, inaugurando uma linha de pesquisa que jamais abandonei.

            Gostaria ainda de falar de minha rica experiência com as disciplinas de cultura religiosa, que eram oferecidas para toda a comunidade da PUC-RJ. Atuei em várias dessas disciplinas: Ciência e Fé, Cristianismo, Ética Cristã e O Homem e o Fenômeno Religioso. Fui coordenador de área dessa última disciplina em dois períodos: de 1980 a 1981 e em 1987. Estava no grupo que trabalhou na elaboração temática dessa nova disciplina, que substituiu a anterior, Ciência e Fé. O acento antropológico e a abertura multidisciplinar davam o toque para a nova reflexão. O grupo de docentes que atuavam nessas disciplinas está guardado com muito carinho na memória: Fernando Soares Moreira (uma das pessoas mais generosas que conheci, e que teve um papel muito importante na minha acolhida na PUC-RJ), Teresa Cavalcanti, Juan Guervos, Rafael del Pozo, Luiz César Monnerat Tardin, Margarida Brandão e outros. Um grupo muito amigo e solidário, com uma visão teológica e pastoral muito aberta e engajada.

            Tivemos momentos difíceis nesses anos, quando alguns de nossos docentes se viram impedidos de continuar seu trabalho na PUC-Rj, em razão de procedimentos doutrinais-disciplinares. Sentimos duramente esse golpe com a saída dos professores: Clodovis Boff, Antonio Moser e Pedro Ribeiro de Oliveira. Apesar de toda reação da comunidade acadêmica e da associação de docentes (ADPUC), não houve forma de conseguir a reintegração desses professores que tanto abrilhantavam o nosso departamento. Foi talvez o lado mais sombrio do período em que atuei na instituição. Já se insinuavam no ar os primeiros efeitos da restauração romana, que a partir de então ganhará mais força por todo canto, e ela tinha fortes tentáculos na diocese do Rio de Janeiro. Graças à atuação do então chefe de departamento de teologia, o jesuíta Jesus Hortal – importante canonista -, as perdas não foram ainda maiores. Soube defender os docentes do departamento com muita garra e honestidade, garantindo a manutenção de um clima mínimo para poder se trabalhar teologicamente com dignidade. Mas aos poucos, e infelizmente, traços de controle, de auto-censura, de temor ou cuidado excessivo foram se implantando sorrateiramente na dinâmica do departamento, impedindo a continuidade daquela rica experiência primaveril vivida pelo departamento nos anos de 1970 e na década de 1980.

            Durante o período em que cursava o mestrado de teologia, com tema envolvendo as comunidades eclesiais de base (CEBs), tive também a oportunidade de atuar pastoralmente na Diocese de Volta Redonda, acolhido com carinho pelo então bispo local, Dom Waldir Calheiros. Foram anos de acompanhamento das comunidades de base locais, sobretudo aquelas localizadas num bairro popular, denominado Jardim Belmonte. A oportunidade viva de conjugar o trabalho teórico com a experiência de vida. Sem dúvida, anos de grande aprendizado, tendo sido acolhido com grande carinho pelas comunidades populares, agentes de pastoral, religiosos (as) e clero diocesano.

            Além das atividades vinculadas ao campo da teologia e da pastoral, os primeiros anos no Rio de Janeiro foram também de inserção multidisciplinar, com o acompanhamento das atividades do Instituto de Estudos da Religião (ISER). Foi um momento de contato com grandes estudiosos das religiões no Brasil: Pierre Sanchis, Rubem Cesar Fernandes, Patrícia Birman, Carlos Rodrigues Brandão e outros. Da inserção inicial no ISER, ao trabalho no ISER-Assessoria, compondo uma equipe de trabalho, em fases distintas, com outros pesquisadores: Pedro Ribeiro de Oliveira, Clodovis Boff, Ivo Lesbaupin, Carlos Steil, Paulo Fernando Carneiro de Andrade, Névio Fiorin, Solange Rodrigues, Rogério Valle e Francisco Orofino. Tive ainda participação em alguns trabalhos do ISER-Vídeo, ajudando na elaboração de roteiros e assessorando vídeos sobre alguns Encontros Intereclesiais de CEBs e sobre a Teologia da Libertação.  

            Depois de concluído o mestrado, em fevereiro de 1982, alguns projetos para o doutorado se apresentavam como possibilidades. O caminho inicial estava previsto para a Alemanha, tendo inclusive passado nos exames seletivos realizados no Brasil para a aquisição de bolsa da Konrad Adenauer. A ideia era fazer o doutorado na Universidade de Münster, e os primeiros contatos com o possível orientador já estavam em curso. Ocorre que o tema da tese doutoral, sobre as comunidades eclesiais de base no Brasil, encontrou dificuldades na avaliação feita pelo núcleo da instituição fornecedora da bolsa na Alemanha. Declinado esse projeto, veio a hipótese do doutorado na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, cujo acesso vinha facilitado pela relação já existente com a PUC-RJ, também sob orientação dos jesuítas. Para viabilizar a ida a Roma, consegui um grande apoio da comunidade jesuíta (província jesuíta Brasil Centro-Leste), que facultou uma parte de minha bolsa de estudos doutorais, bem como a ajuda financeira para a viagem com a família para Roma. Além dos jesuítas, o importante apoio da Universidade Santa Úrsula, que também contribuiu com uma ajuda mensal. Assinalo ainda a ajuda que tive das irmãs médicas missionárias, que também contribuíram através de meu então orientador, João Batista Libânio, com recursos para a primeira instalação em Roma.

            Os contatos para a orientação já foram sendo tecidos no Brasil, uma vez que o professor Felix Pastor, da Pontifícia Universidade Gregoriana, também lecionava na PUC-RJ, tendo iniciado suas atividades no Rio sob o impulso de nossa turma do mestrado. Tudo ficava mais fácil. As conversas com o decano da Gregoriana, René Latourelle, foram intermediadas pelo amigo Marcelo Perini, que também estava em Roma para seu doutorado em filosofia. Todo o processo de inserção na nova universidade foi favorecido pela presença de amigos jesuítas queridos. Lembro também aqui a presença de alguém especial, Marcelo Aquino – hoje reitor da Unisinos -, que me ajudou no momento decisivo dos projetos para a aprovação e registro final de meu argumento no doutorado.

            Viajei para Roma no final de agosto de 1982, um pouco antes do início das aulas, acompanhado de outro amigo querido, Inácio Neutzling, que também seguia para o seu doutorado na Gregoriana. Ali defendeu uma importante tese doutoral sobre o tema do Reino de Deus e os pobres. Com essa ida para Roma quebrava um bloqueio com as viagens. E não era nada fácil deixar o Brasil naquele momento, com dois filhos muito pequenos e um horizonte ainda tão indefinido. Mas parti com alegria, e lágrimas nos olhos. No primeiro mês fiquei hospedado no Colégio Pio Brasileiro, onde residem os religiosos brasileiros que realizam seus estudos de pós-graduação em Roma, sobretudo em filosofia e teologia. Fui acolhido com muito carinho seja pela direção como pelos estudantes. Foi muito importante ter encontrado esta base existencial no início de minha jornada romana, dando um impulso singular para o meu voo. Minha esposa, Teita, e os dois filhos pequeninos, Pedro e João, chegaram no mês seguinte. Não tinha ainda conseguido um apartamento. Fomos então acolhidos pelas irmãs dominicanas de Via Cassia, onde passamos mais um mês. Presenças também fundamentais em nosso início de estadia em Roma foram os amigos Luiz Alberto Gómez de Souza e Lúcia Ribeiro, que residiam na cidade e nos deram um bom suporte no começo, firmando uma linda convivência naquele período[7]. Depois de muita luta conseguimos, finalmente, um apartamento em Ladispoli, na região Tirrena, a 37 quilômetros de Roma, na sequência da Via Aurélia. Ali passamos os nossos quatro anos de “exílio” acadêmico.

            Durante o mestrado no Rio fiz um número de disciplinas bem superior ao exigido pelo curso de teologia, o que favoreceu uma menor exigência de creditação em Roma. O então decano na teologia, René Latourelle, foi bem flexível nessa questão. Pude fazer alguns cursos mais relacionados com o meu tema de pesquisa, ou então importantes para o meu embasamento teológico. Recordo-me dos cursos de Juan Alfaro, talvez um dos maiores teólogos atuantes na Gregoriana naquele período. Sua paixão pela América Latina, pela teologia da libertação e as comunidades de base irradiava para os alunos. Lembro-me em especial de um seminário que ofereceu sobre o Documento de Puebla, que marcou aquela turma diversificada de alunos, vindos de tantas partes do mundo. Com o meu orientador de tese, o jesuíta Felix Alejandro Pastor, fiz dois cursos memoráveis: o primeiro, em torno da obra de Karl Rahner: Curso Fundamental da Fé. Essa obra nuclear do grande teólogo alemão tinha sido traduzida para o italiano e publicada em 1977, um ano após a edição original alemã. Foi também uma experiência inaugural para mim. O segundo curso, ministrado também por Felix Pastor, foi sobre metodologia teológica, com base na obra de Bernard Lonergan: Il metodo in teologia (Brescia: Queriniana, 1975).

            Mesmo trabalhando um tema latino-americano na tese, a experiência em Roma foi muito importante para a pesquisa. Sublinho sobretudo o clima cultural e político do período. Aqueles anos 80 em Roma eram ricos e inflamados. Era o período da presença de Enrico Berlinguer e do Eurocomunismo. A cidade irradiava sentimento crítico e vida cultural explosiva. Para quem estava trabalhando o tema das comunidades de base e a teologia da libertação o ambiente era muito favorável: poder beber daquele clima, participar da vida política, disponibilizar-se para aquele novo campo reflexivo, tudo isso foi de fundamental importância. Em contraponto, a conjuntura eclesial do período não era muito favorável. Vivi em Roma os anos mais sombrios da vida da igreja católica, com a presença austera do cardeal Ratzinger na direção da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), o ex-Santo Ofício. Foram anos duros para a teologia da libertação, com as duas instruções críticas da CDF sobre a teologia latino-americana (agosto de 1984 e março de 1986). Foi também o período da punição ao teológo brasileiro, Leonardo Boff, com a notificação crítica de seu livro Igreja: carisma e poder (março de 1985).

            O trabalho doutoral foi muito favorecido pela facilidade de acesso ao rico material temático disponibilizado tanto pela impressionante biblioteca da Gregoriana, como da biblioteca do Pio Brasileiro, onde pude contar com a preciosa ajuda de um grande amigo, o bibliotecário Juarez Dutra, que ainda atua naquela saudosa casa romana. O resultado desses quatro anos de presença em Roma foi uma tese doutoral de 1055 páginas, aprovada com Summa cum Laude”: A fé na vida: um estudo teológico-pastoral sobre a experiência das Comunidades Eclesiais de Base no Brasil. O tema vinha subdividido em três partes: 1) Elementos explicativos da gênese das Comunidades Eclesiais de Base no Brasil; 2) Elementos de compreensão da dinâmica fé e vida na experiência das Comunidades Eclesiais de Base; 3) Questões teológicas conexas com a realidade das Comunidades Eclesiais de Base.

            A defesa doutoral aconteceu em Roma no início de dezembro de 1985, com a presença de vários amigos na Pontifícia Universidade Gregoriana, entre os quais o meu dileto orientador de mestrado, pe. João Batista Libânio. Para conseguir o diploma tive que publicar ainda em Roma uma parte da tese (Excerpta), uma exigência da Universidade. O livro veio publicado ainda em 1985, com 268 páginas. Na publicação veio incluída a bibliografia da tese, que somou 55 páginas[8]. O material da tese veio depois publicado no Brasil em três livros, publicados em editoras distintas, seguindo a ordem das partes do trabalho: A gênese das CEBs no Brasil. Elementos explicativos. São Paulo: Paulinas, 1988; A fé na vida. Um estudo teológico-pastoral sobre a experiência das Comunidades Eclesiais de Base no Brasil. São Paulo: Loyola, 1987; Comunidades eclesiais de base. Bases teológicas. Petrópolis: Vozes, 1988.

            Permaneci em Roma até inícios de 1986. Antes do retorno ao Brasil tive que resolver algumas pendências relacionadas à minha missio canônica, ou seja, sobre a minha licença canônica para o exercício de ensino. Havia ruídos quanto à renovação de minha autorização eclesiástica para lecionar na PUC-RJ. Fui convocado, ainda em Roma, para uma “sabatina” com o então bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Karl Josef Romer, que contou também com a presença de meu orientador, Felix Pastor. Foi uma reunião de esclarecimento sobre algumas questões teológicas. Soube depois que as negociações para a minha volta à PUC do Rio não foram assim tão simples, envolvendo inclusive a necessidade de cartas de recomendação tanto do meu orientador de doutorado como de Juan Alfaro – da Gregoriana, dirigidas ao então cardeal do Rio de Janeiro, Eugênio Sales, confirmando minha ortodoxia.

            O período de pós-graduação é sempre marcado por crises. São raras as situações de exceção. É um tempo que carregamos uma “nuvem” sobre a cabeça, e que nos acompanha por toda parte. A preocupação com as questões envolvidas no trabalho, o tempo requerido para sua execução, a pressão da academia e do orientador, tudo isso vai aumentando a tensão. São em geral raros os momentos de relaxamento. E aquela dificuldade de escrever... Há dias que a redação flui com facilidade, outros que a inspiração recua, e o vazio toma conta de todo o corpo. Isso no exterior ainda é mais difícil. Quando você tem todo o dia para lidar com a questão, e a inspiração fica do lado de fora. Mais difíceis ainda os dias em que a redação empaca, e nenhuma gestação acontece. Tudo muito duro! Os bons orientadores estão sempre atentos para esta questão, como é o caso de João Batista Libânio. Em sua obra, Introdução à vida intelectual (Loyola, 2001), trata com pertinência esse dado das condições requeridas para um bom trabalho intelectual, sobretudo os canais necessários para a saúde física e psíquica dos estudantes. Também os caminhos para driblar o risco do perfeccionismo, talvez um dos inimigos mais contumazes na vida intelectual. O estudante, repleto de expectativas, em sua busca de perfeição, quando encontra obstáculos ou falha no rendimento esperado, vem tomado pela insatisfação, tensão ou mesmo depressão. Não são poucos os casos de crises psicológicas durante esse processo,  radicalizadas hoje pelas pressões da academia ou agências de fomento. No meu caso particular, não tive crises mais complexas durante o processo do doutorado, mas sim ao seu final. Assim que recebi o diploma, baixou toda aquela tensão que estava até então fragilmente sob controle. Foram alguns meses para voltar às condições normais de temperatura e pressão. Em conversa com o meu orientador de doutorado, marcado por grande experiência na psicanálise, ele sublinhou algo que ficou gravado na memória. Assinalou que nós, estudantes, nos preparamos para ir, mas descuidamos do voltar. Queria dizer que nos preparamos para viver a experiência do doutorado no exterior, que é mais impactante, mas descuidamos de lidar com os sentimentos psicológicos que envolvem o nosso retorno ao cotidiano, no país onde vamos exercer o nosso trabalho rotineiro e ferial. O doutorado é o momento “festivo”, de liberação do trabalho profissional. Retornar ao dia a dia, ferial, é algo que envolve um investimento psicológico. E nem sempre nos damos conta disso. No meu caso, foi um aprendizado importante, que partilho atentamente com meus orientandos.

Retornei à PUC-RJ para o primeiro semestre letivo de 1986, assumindo também então a docência de disciplinas nos cursos de graduação e pós-graduação em teologia. Tive, por sorte, dois meses para minha adaptação psicológica. Dentre as disciplinas que fui assumindo: Eclesiologia, Antropologia Teológica II (Teologia da graça), Teologia Moral,  Teologia do laicato, Teologia Pastoral, Comunidades eclesiais de base, Religiosidade popular, Diálogo Inter-religioso, Questões de teologia pastoral e outras.  Os contatos também foram retomados na Universidade Santa Úrsula, onde continuei lecionando no curso de teologia[9]. Nesse período, o campo de interesse temático foi sofrendo transformações.

Tive também uma passagem na administração da pós-graduação em teologia da PUC-RJ, quando assumi a coordenação do mestrado e doutorado a partir de julho de 1988, ficando no cargo por quase dois anos. Em parte da década de 1990, até meados de 2001, participei como consultor da Capes na comissão da sub-área de teologia e ciências da religião, não só na avaliação dos cursos de pós-graduação da sub-área, como em visitas de avaliação aos programas existentes: Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus - Teologia (1995); Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - Teologia (1997); Escola Superior de Teologia - Teologia (1997); Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – Ciências da Religião (1997). Atuei ainda, nos anos de 2001 e 2003, como consultor do MEC-SESU, na avaliação de cursos de teologia (bacharelado) e ciências religiosas, que visavam  seu credenciamento. Dentre as instituições visitadas e avaliadas: Faculdade Filadélfia, em Maceió (2000); Faculdade Teológica Sul Americana, em Londrina (2000); Instituto de Estudos Superiores do Maranhão, em São Luís (2000 e 2002); Faculdade de Filosofia, Teologia e Ciências Humanas, no Amapá (2001); Instituto Filosófico-Teológico Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, em Quixadá (2001); Faculdade Evangélica do Paraná (2001); Faculdade Kurios, em Maranguape (2002) e Faculdade João Paulo II – FAJOPA, em Marília-SP (2003).

O foco inicial de minha atenção acadêmica, desde o doutorado, tinha sido a eclesiologia. Com o tempo, houve uma abertura para a temática da antropologia teológica, em particular a questão da graça, e daí para a teologia das religiões. O meu primeiro curso envolvendo essa questão da teologia das religiões ou teologia do pluralismo religioso ocorreu no final da década de 1980, na PUC-RJ, coincidindo com o momento em que o departamento de teologia abria a possibilidade para estudantes da tradição evangélica se inscreverem no curso. Lembro-me com alegria desse primeiro curso, com a presença enriquecedora de alunos de diversas tradições cristãs. Foi um impulso significativo na decisão de firmar o meu trabalho teológico nessa desafiante área de reflexão.

Em 1989 surgiu a possibilidade de fazer um concurso em Juiz de Fora (MG) para uma vaga aberta no Departamento de Ciência da Religião, e justamente para a cadeira de eclesiologia sistemática. Não tive nenhuma dúvida para acolher essa oportunidade que surgia. Lembro-me que ainda no exterior, durante o doutorado, em conversa com o prof. Pedro Ribeiro de Oliveira, que é também nascido em Juiz de Fora, tínhamos aventado essa hipótese de retornar à cidade e pensar na possibilidade de implantação de uma pós-graduação na área de ciência da religião. Era um sonho que começava a ganhar impulso com essa abertura que estava sendo facultada. A seu favor, o trabalho incansável do professor Antônio Guglielmi, então diretor do departamento de ciência da religião em Juiz de Fora, que se desdobrava para dar um perfil mais leigo e acadêmico ao quadro docente. Era também uma tentativa de dar nova oxigenação ao departamento de ciência da religião, que na década de 1980 passou por momentos difíceis, com um quadro docente reduzido e motivação em baixa depois de tantas tentativas mal sucedidas de fazer erguer o curso de graduação tão almejado.

Fiz o concurso em Juiz de Fora, em novembro de 1989, com a alegria de ter como um dos membros da banca de seleção o teólogo Leonardo Boff. A nomeação como professor adjunto efetivo ocorreu no final de dezembro de 1989, com regime de 20 horas de trabalho semanal. Preferi, naquele momento, manter ainda o vínculo com a PUC-RJ e a Universidade Santa Úrsula. Mantive essa situação até o ano de 1992, quando assumi a condição de dedicação exclusiva na UFJF. Na sequência, vieram também, como concursados, os professores Pedro Ribeiro de Oliveira (sociólogo) e Luiz Bernardo Leite Araújo (filósofo). Com essa nova presença leiga o departamento de ciência da religião ganhou um novo viço, surgindo a possibilidade de um projeto de pós-graduação.

A estratégia seguida pelo departamento de ciência da religião em seu projeto de instauração de um programa de pós-graduação na área foi firme e segura, seguindo passos graduais de afirmação. Primeiro nasceu o curso de especialização em ciência da religião, em 1991, um curso gratuito, e que se mantem em formato semelhante até o presente momento. Nunca houve interrupção no oferecimento de vagas para esse curso, que se mantém como um dos mais fecundos e duradouros projetos, mantendo esse traço de gratuidade que inexiste nos cursos lato-sensu oferecidos pela UFJF no presente. Dois anos depois do início da especialização nasceu o programa de mestrado, em 1993, num momento em que a UFJF começava lentamente a investir na pós-graduação. Na visão de um dos consultores da Capes – prof. Antonio Gouvêa Mendonça -, responsável pela avaliação do projeto apresentado, o curso de Juiz de Fora compunha junto com o curso da PUC-SP o perfil desejado para um curso de ciência (s) da religião. O projeto do mestrado foi aprovado pela Capes com nota 4, e as atividades se iniciaram em 1993. Assumi a tarefa de primeiro coordenador do programa, permanecendo nesta função por dez anos.

Com o processo exitoso do mestrado, e seguindo uma dinâmica estrategicamente planejada de aperfeiçoamento do corpo docente, com a entrada de inúmeros novos professores doutores no programa (Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião – PPCIR), nasceu o doutorado no ano de 2000, também avaliado inicialmente com a nota 4 pela Capes. Foi o primeiro doutorado da Universidade Federal de Juiz de Fora.

A avaliação que faço desse meu período de presença no departamento de ciência da religião e no seu programa de pós-graduação é muito rica. São mais de 24 anos trabalhando num campo de muitos desafios e interrogações. O fato de ser um teólogo, ainda que adaptado para esse exercício multidisciplinar, não significou em momento algum um empecilho para a inserção nesse campo novo e em permanente redefinição epistemológica. Sublinho ainda que não me senti, em momento algum, como um corpo estranho na dinâmica e nos debates que marcaram até então a configuração dessa área acadêmica. Na verdade, observo hoje que o meu trabalho teológico firma-se de modo muito mais livre, leve e despojado aqui em Juiz de Fora. Naquele período da PUC-RJ, num tempo de inverno eclesial acentuado, o clima instaurado nem sempre favorecia o trabalho teológico autônomo e ousado. Acrescenta-se o dado da auto-censura que acabava penetrando de forma inconsciente na dinâmica da produção teológica. Constato hoje, com muita serenidade, a importância essencial de um trabalho teológico que tenha uma função livre e pública, o que nem sempre pode ocorrer nos espaços universitários sob controle eclesiástico. Daí ver com imensa alegria a irradiação de uma discussão que ganha espaço nas várias instâncias de presença acadêmica da teologia, desta urgente questão de uma teologia pública.

O meu trabalho acadêmico no PPCIR da UFJF foi ganhando novas malhas com o tempo de inserção no magistério. Se no início o grande campo de minha reflexão em Juiz de Fora era a teologia das religiões, com os anos fui ampliando minha área de interesse para o tema do diálogo inter-religioso e a mística comparada das religiões. Mantive acesos esses três grande amores: a teologia do pluralismo religioso, o diálogo inter-religioso e a mística comparada das religiões. Em torno a tais temas fui firmando minhas linhas de pesquisa e projetos conexos. Esse interesse foi contagiando muitos de meus alunos, que acabaram definindo seus projetos de monografia, dissertação ou tese em temas correlatos. E a questão foi ganhando uma dimensão maior, incidindo inclusive na definição temática de áreas de interesse em outros programas de pós-graduação em ciências da religião cujo corpo docente veio marcado por ex-alunos do PPCIR de Juiz de Fora.

Como fruto de meu trabalho na área de ciência (s) da religião, publiquei em 1995 o livro sobre teologia das religiões[10]. Na ocasião, senti necessidade de ampliar o aprofundamento nesta temática. Sabendo da presença de um excelente professor e pesquisador que atuava em Roma no período, trabalhando especificamente este tema, resolvi estabelecer um contato e pensar na possibilidade de um estágio pós-doutoral. Viajei para Roma e pude conhecer o professor Jacques Dupuis, um jesuíta belga que atuou 36 anos na Índia (entre os anos de 1948 a 1984) que na ocasião lecionava cristologia e teologia das religiões na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Ele aceitou com alegria minha proposta e indicou a data de 1997 como favorável para o início do estágio pós-doutoral, quando estaria sendo lançado o seu clássico livro sobre o tema: Rumo a uma teologia cristã do pluralismo religioso (Queriniana, 1997). Favorecido com uma bolsa da Capes, iniciei o estágio pós-doutoral em 1997, com pesquisa sobre a obra de Jacques Dupuis. Foi também uma rica oportunidade para seguir dois de seus cursos, além de outros na seção de ciências religiosas da Gregoriana, entre os quais o de Arij Roest Crollius sobre teologia cristã do judaísmo. Permaneci em Roma, com toda a família, até 1998, quando finalizei o trabalho proposto por Jacques Dupuis, e que ganhou publicação em dois números na revista dos jesuítas brasileiros, Perspectiva Teológica: Panorâmica da abordagem cristã sobre as religiões – a propósito de um livro I (PT nº 80 – jan/abr 1998) e  Para uma teologia cristã do pluralismo religioso – a propósito de um livro II (PT nº 81 – maio/ago 1998).

            Minha pesquisa no pós-doutorado envolvia um tema controvertido, sendo objeto de muitas resistências e críticas em segmentos do Vaticano. Vale lembrar que o meu orientador, Jacques Dupuis, ainda quando eu estava em Roma, começou a sofrer sérias advertências em razão da obra que acabara de lançar sobre o tema. Já no final de 1998 teve que responder  a uma série de indagações feitas pela Congregação para a Doutrina da Fé (CdF), sendo também impedido de dar continuidade a seus cursos na Gregoriana. Os documentos enviados por Dupuis em defesa de suas teses não foram aceitas pela CdF que acabou notificando sua obra em fevereiro de 2001, com publicação no jornal L´Osservatore Romano. Um processo de muito sofrimento para Dupuis, que acabou falecendo em dezembro de 2004[11]. 

            Ao retornar ao Brasil, em 1998, dei continuidade aos meus trabalhos de pesquisa. A propósito do tema da teologia das religiões, publiquei um novo trabalho, em 2012, pela editora Nhanduti de São Bernardo do Campo. Era uma forma de retomar os temas clássicos de minha pesquisa e acrescentar passos de novas intuições e outros autores que foram sendo abordados em minha reflexão, como Paul Tillich, Roger Haight e Christian Duquoc. O livro teve como título: Teologia e pluralismo religioso.

Com respeito à questão do diálogo inter-religioso, resolvi dar um passo distinto na forma de trabalhar o tema, saindo um pouco da perspectiva mais teórica e abstrata para voltar-me para a análise mais dedicada aos sujeitos ou buscadores ligados ao cristianismo e que viveram uma experiência de diálogo com outras tradições religiosas. Nascia assim o meu projeto dos “buscadores de diálogo”, que pontuou minhas pesquisas a partir do início do novo milênio. Sintonizei meus cursos sobre diálogo inter-religioso na pós-graduação com esta nova perspectiva e elaborei um projeto de produtividade em pesquisa para o CNPQ, que foi implementado em março de 2005. Esse projeto acabou resultando num livro, publicado em 2012 pela editora Paulinas (São Paulo): Buscadores do diálogo. Itinerários inter-religiosos. No livro abordei o itinerário de cinco buscadores: Thomas Merton, Henri le Saux, Raimon Panikkar, Louis Massignon e Simone Weil. O trabalho de pesquisa acabou se enveredando para o campo mais específico dos buscadores cristãos no diálogo com o islã, que foi também apresentado ao CNPQ, como continuidade da pesquisa anterior, sendo aprovado pela instância de fomento em março de 2011, e renovado por mais três anos em março de 2014. Os autores agora trabalhados são outros: Abd-el-Jalil, Louis Gardet, Georges Anawati, Serge de Beaurecueil, Christian de Chergé e Paolo dall´Oglio. Parte da pesquisa também resultou em livro, que se encontra no prelo das edições Paulus, com previsão de publicação para o final de 2014.

            No âmbito da mística comparada, meu outro campo de inserção, as reflexões e pesquisas foram ganhando vulto nestes últimos quatorze anos, com impacto tanto nas disciplinas ministradas na pós-graduação do PPCIR como nos eventos que fui organizando e nas publicações que se seguiram. Pude dedicar-me à criação das disciplinas de mística comparada, voltadas ao aprofundamento não só da mística cristã, mas também das místicas islâmica e zen budista. Os projetos de orientação nessa área foram sendo articulados num dos grupos de pesquisa do CNPQ, criado por minha iniciativa em 2006: Núcleo de Estudos de Mística Comparada. O passo mais significativo nesse campo foi o lançamento de uma iniciativa que teve irradiação nacional: a criação dos seminários de mística comparada, realizados anualmente na cidade de Juiz de Fora, no seminário da Floresta. A iniciativa nasceu como um estímulo para dar continuidade aos trabalhos de orientação e pesquisa que já estavam em curso em alguns programas de ciência (s) da religião e teologia do Brasil, em particular na UFJF, PUC-SP e PUC-RJ, envolvendo também outros pesquisadores de universidades federais, como a UFRJ, UFF e UFMG. Pude contar com a colaboração de pesquisadores de ponta no incentivo e incremento desta iniciativa que teve seu passo inicial em setembro de 2001. Entre eles: Luis Felipe Pondé, Maria Clara Bingemer e Marco Lucchesi. Nasceram assim, em 2001, os já clássicos seminários de mística, que já contaram com 12 edições e uma repercussão viva nos vários espaços de presença da teologia e ciência (s) da religião no Brasil. Os seminários inspiraram grupos de trabalho ou núcleos de pesquisa que vão se firmando por todo canto, quebrando aquela tradicional barreira contra a mística presente no mundo acadêmico. Como resultado dos seminários, três publicações que pude organizar pela editora Paulinas: No limiar do mistério. Mística e religião (2004); Nas teias da delicadeza. Itinerários místicos (2006); Caminhos da mística (2012). E outro volume está sendo preparado, em torno da temática da mística e literatura, com previsão de publicação para 2015.

            Na tentativa de dar uma sistematização à minha produção acadêmica ao longo de meu percurso de vida, posso buscar inscrever essa produção em dois blocos específicos, desdobrados em seis campos de reflexão. Num primeiro bloco, um campo de produção mais ampliada: eclesiologia e missão, teologia do pluralismo religioso, diálogo inter-religioso, espiritualidade e mística comparada das religiões. Num segundo bloco, outros campos também trilhados, ainda que em menor escala: teologia e mundo acadêmico e sociologia da religião[12]. Tomando por base o meu currículo lattes, buscarei apontar os dados de minha produção geral e inscrever as produções que considero mais significativas.

            Os dados mais amplos, envolvendo todos os âmbitos de minha pesquisa, traduzem os seguintes números:


Livros Publicados:                                       18
Livros Organizados:                                    13
Capítulos de Livros:                                    90
Artigos em Periódicos:                                151
Artigos em Revistas (Magazines):             53
Artigos em Jornais:                                      92
Demais produções bibliográficas:             45


            Abrindo o primeiro bloco, destacam-se os seguintes artigos referentes ao campo da eclesiologia e da missão, destaco as seguintes produções:

Livros:

. A fé na vida. Excerpta ex Dissertatione ad Doctoratum in Facultate Theologiae Pontificiae Universitatis Gregorianae (Romae, 1985)[13]
. A fé na vida. Um estudo teológico pastoral sobre a experiência das comunidades eclesiais de base no Brasil (Loyola, 1987)
. Comunidades Eclesiais de Base: bases teológicas (Vozes, 1988)
. A gênese das CEBs no Brasil (Paulinas, 1988)
. CEBs: cidadania e modernidade (em co-autoria, Paulinas, 1983)
. Os encontros intereclesiais de CEBs no Brasil (Paulinas, 1996)

Capítulos de Livros:

. Le comunità ecclesiali di base in Brasile (Citadella, 1992)
. As comunidades eclesiais de base: traços explicativos de sua gênese (Vozes, 1992)
. Basisgemendein in Lateinamerika – RGG (Morth Siebeck, 1998)
. Os 25 anos de pontificado de João Paulo II – Barsa (Melhoramentos, 2004)
. Comunidades eclesiales de base – Diccionario de Pastoral Vocacional (Sigueme, 2005)
. Eclesiologia en tiempos de pluralismo religioso (Abya Yala, 2006)
. João Batista Libânio: a eterna cadência da fé (SOTER / Paulinas, 2014)



Artigos em Periódicos:

. A dimensão política da fé (Vozes, 1982)
. Dimension politica de la fe (Pastoral Popular, 1983)
. A synoptic view of the structure of the BEC – CEBs (Sedos, 1984)
. L´emergence d´un laicat créateur de valeurs ecclésiologiques (Spiritus, 1987)
. Les communautés de base du Brésil au tornant (Études, 1992)
. CEBs: cidadania em processo (REB[14], 1993)
. O cristianismo entre a identidade singular e o desafio plural (Perspectiva Teológica, 1995)
. A igreja e o desafio do diálogo e anúncio (REB, 1995)
. Nuovo congregazionalismo. Risposta cattolica: le comunità ecclesiali di base in Brasile (Concilium, 1996)
. Os intereclesiais de CEBs: identidade em construção (Perspectiva Teologica, 1997)
. Las CEBs y el desafio de la acogida interreligiosa (Spiritus, 1998)
. Les communautés ecclésiales de base au Brésil (Spiritus, 1999)
. Les CEBs au Brésil. Exigences d´oecumenisme et d´inculturation (Spiritus, 1999)
. Storia di fede e di vita nelle comunità ecclesiali di base (Concilium, 2002)
. O testemunho no mundo plural (Convergência, 2004)
. Sonhos e esperanças de cortesia espiritual: um desafio para a igreja católica no século XXI (REB, 2005)
. Evangelização em um mundo pluralista (Convergência, 2006)
. O pluralismo religioso e a dinâmica missionária (Forum Mission, 2010)
. Ermeneutiche in tensione: tempi bui per la teologia (Concilium, 2013)
. João Batista Libânio: a eterna cadência da fé (Perspectiva Teológica, 2014)

Quanto ao campo da teologia do pluralismo religioso, destacam-se as seguintes produções:

Livros:
. Teologia das religiões. Uma visão panorâmica (Paulinas, 1995)
. Teologia de les religions. Visió panorâmica de la situació actual (Claret-Barcelona, 2002)
. Teologia de las religiones. Una visión panorámica (Abya-Yala, 2005)[15]
. Teologia e pluralismo religioso (Nhanduti, 2012)

Livros organizados:

. Diálogo de pássaros: nos caminhos do diálogo inter-religioso (Paulinas, 1993)

Capítulos de Livros:

. Inculturação da fé e pluralismo religioso (2001)
. A experiência de Deus nas religiões (Loyola, 2001)
. O desafio do pluralismo religioso para a teologia latino-americana (Rede, 2003)
. El desafio del pluralismo religioso a la teologia latino-americana (Verbo Divino, 2003)
. Karl Rahner e as religiões (Loyola, 2004)
. La teologia del pluralismo religioso en America Latina (Abya Yala, 2006)
. El desafio de una cristología en clave pluralista (Dabar, 2007)
. Uma teologia de amor ao pluralismo (Paulinas, 2008)
. Teologia das religiões (Aste, 2008)
. O pluralismo inclusivo de Jacques Dupuis (Paulinas, 2008)
. O irrevogável desafio do pluralismo religioso (Paulinas/Soter, 2010)
. Pluralismo religioso: dono di Dio (Adista, 2011)
. A palavra sagrada nas religiões (Paulinas, 2011)

Artigos em periódicos:

. Para uma teologia cristã do pluralismo religioso (Perspectiva Teológica, 1998)
. Panorâmica das abordagens cristãs sobre as religiões (Perspectiva Teológica, 1998)
. A teologia do pluralismo religioso em Claude Geffré (Numen, 1998)
. La cuestión de la teologia del pluralismo religioso (Spiritus, 1999)
. A teologia do pluralismo religioso em questão (REB, 1999)
. Do diálogo ao anúncio: reflexões sobre a declaração Dominus Iesus (REB, 2000).
. Dominus Iesus em ação: a notificaçãoo sobre o livro de Jacques Dupuis (REB, 2001).
. Uma cristologia provocada pelo pluralismo religioso: reflexões em torno ao livro Jesus, símbolo de Deus, de Roger Haight (REB, 2005)
. Substância católica e religiões (Correlatio, 2006)
. O pluralismo religioso como novo paradigma para a teologia (Concilium, 2007)[16]
. Salvação entre e além das religiões (Unicap, 2009)
. O desafio das teologias índias (Horizonte, 2009)
. La teologia del pluralismo religioso in America Latina (Credereoggi, 2009)
. Raimon Panikkar: a arriscada aventura no solo sagrado do outro (Perspectiva Teológica, 2010)
. O irrevogável desafio do pluralismo religioso (Ciberteologia, 2010)
. Teologia asiática e pluralismo religioso (Perspectiva Teológica, 2011)

            No Âmbito das produções relacionadas ao tema do diálogo inter-religioso, estas outras produções:

Livros:

. Ecumenismo e diálogo inter-religioso (em co-autoria com Zwinglio Mota Dias - Santuário, 2008)
. Buscadores do diálogo (Paulinas, 2012)
. Cristianismo e diálogo inter-religioso (Fonte Editorial/PPCIR, 2014)
. Buscadores cristãos no diálogo com o islã (Paulus, 2014)

Livros organizados:

. O diálogo inter-religioso como afirmação da vida (Paulinas, 1997)
. Sede de Deus: orações do judaísmo, cristianismo e islã (em co-autoria com Volney Berkenbrock – Vozes, 2002)

Capítulos de Livro:

. O diálogo como linguagem evangelizadora (Paulinas, 1993)
. Novos paradigmas resultantes do diálogo inter-religioso (Loyola, 1996)
. Dia mundial de oração pela paz (Paulinas, 1997)
. Apresentação do livro de Jacques Dupuis: Rumo a uma teologia cristã do pluralismo religioso (Paulinas, 1999)
. Diálogo inter-religioso e vivência intercultural (CSEM, 2000)
. A interpelação do diálogo inter-religioso para a teologia (Paulinas/Soter, 2000)
. O desafio do mistério da alteridade (Loyola, 2002)
. O Concílio Vaticano II e o diálogo inter-religioso (Paulinas, 2004)
. Peregrinos do diálogo (Fasa, 2005)
. Diálogo inter-religioso e educação para alteridade (Unisinos, 2006)
. O fundamentalismo em tempos de pluralismo religioso (Paulinas, 2008)
. Diálogo entre as religiões e igrejas em favor da vida e da justiça (Paulus, 2008)
. A contribuição das religiões: uma visão ecumênica (FGV & FAPERJ, 2009)
. A conjuntura internacional católica: a relação com as religiões (Vozes, 2009)
. Diversidade religiosa: riqueza e desafio para o diálogo e a cooperação (Paulus, 2011)
. Sinais de abertura: liberdade religiosa, ecumenismo e diálogo inter-religioso (Paulinas, 2013)
. Perspectivas para o diálogo inter-religioso (Vozes, 2014)

Artigos em periódicos:

. Jornada mundial de oração pela paz (REB, 1996)
. Desafios del dialogo inter-religioso (Alternativas, 1998)
. O diálogo inter-religioso na perspectiva do terceiro milênio (Convergência, 1999)
. O diálogo inter-religioso face ao desafio da responsabilidade global (Numen, 1999)
. Entre o desafio do diálogo e a vocação do anúncio (Convergência, 1999)
. Ecumenismo planetário (Rhema, 1999)
. Un retrocesso en el caminho del dialogo (Misiones Extranjeras, 2000)
. Um olhar sobre o ecumenismo e o diálogo inter-religioso (Numen, 2000)
. Pasos ecuménicos en la última década (Misiones Extranjeras, 2000)
. CEBs e dialogo inter-religioso (Mundo e Missão, 2000)
. El paradigma de Asis (Concilium, 2001)
. La interpelacion del dialogo inter-religioso a la teologia (Alternativas, 2001)
. O diálogo em tempos de fundamentalismo religioso (Convergência, 2002)
. Diálogo inter-religioso: o desafio da acolhida da diferença (Perpectiva Teológica, 2002)
. O diálogo inter-religioso no tempo da cidadania da identidade (Tempo e Presença, 2003)
. O diálogo inter-religioso na perspectiva do terceiro milênio (Horizonte, 2003)
. El dialogo interreligioso en los tempos de la cidadania de la identidade (Spiritus, 2004)
. La sfida della pace tra religioni (Comunità italiana, 2005)
. El temor del reconocimiento de la alteridade (Alternativas, 2005)
. O episcopado latino-americano diante do diálogo inter-religioso (Encontros Teológicos, 2006)
. O diálogo entre as religiões (Vida Pastoral, 2007)
. Thomas Merton: um buscador do diálogo (Encontros Teológicos, 2007)
. Enlaçados no mistério: o diálogo entre cristãos e muçulmanos (Convergência, 2007)
. Henri le Saux: nas veredas do real (Perspectiva Teológica, 2008)
. Simone Weil: uma paixão sem fronteiras (Convergência, 2008)
. Raimon Panikkar: a arriscada aventura no solo sagrado do outro (Perspectiva Teológica, 2010)
. Louis Massignon: a hospitalidade dialogal (Perspectiva Teológica, 2010)
. A dimensão espiritual do diálogo inter-religioso (Tempo Brasileiro, 2010)
. Sob o mistério do islã: o caminho dialogal de Georges Anawati (Revista Dominicana de Teologia, 2011)
. O imprescindível desafio da diferença religiosa (Remhu, 2012)
. O fenômeno do fundamentalismo religioso (Diálogo, 2012)
. O Deus da prosperidade: desconstruindo imagens (Concilium, 2014/4)
. A dimensão espiritual do diálogo inter-religioso (Caminhos de diálogo, 2014)

            Os temas relacionados à espiritualidade e mística comparada das religiões comparecem nos seguintes trabalhos:

Livros:

. A espiritualidade do seguimento (Paulinas, 1994)
. La espiritualidade del seguimento (Dabar-Mexico, 1996)
. Religiões & Espiritualidade (Fonte Editorial, 2014)

Livros organizados:

. No limiar do mistério: mística e religião (Paulinas, 2004)
. Nas teias da delicadeza: itinerários místicos (Paulinas, 2006)
. O canto da unidade: em torno da poética de Rûmî (em co-autoria com Marco Lucchesi – Fissus, 2007)[17]
. Caminhos da mística (Paulinas, 2012)

Capítulos de livros:

. Mística e política na América Latina: a espiritualidade do seguimento (Loyola, 1994)
. A espiritualidade nas CEBs (Paulinas, 1997)
. A experiência de Deus nas religiões (Loyola, 2001)
. A experiência de Deus no islã (Record, 2002)
. Rûmî: a paixão pela unidade (Paulinas, 2004)
. O desafio da mística comparada (Paulinas, 2004)
. Espiritualidade do ecumenismo e do diálogo inter-religioso (O lutador, 2004)
. O potencial libertador da espiritualidade e da experiência religiosa (Paulus, 2005)
. Os caminhos da espiritualidade: um olhar com base nas tradições místicas (Hucitec, 2006)
. Nos rastros do Amado: o Cântico Espiritual de João da Cruz (Paulinas, 2006)
. As partes e o todo: o apelo da mística islâmica (Cândido Mendes, 2007)
. A flama do coração: perspectivas dialogais em Rûmî (Fissus, 2007)
. O sentido místico da consciência planetária (Paulinas/PUC-Minas, 2009)
. A narrativa de Deus nas religiões não-monoteístas: um olhar sobre a Escola de Kyoto (Casa Leira, 2009)
. Rûmî e o canto da unidade (PUC-RJ, 2010)
. Marks of an Inter-Religious Mysticism (Dunamis, 2010)
. Marcos de uma mística inter-religiosa (Paulinas, 2011)
. Teilhard de  Chardin e a teofania de Deus no universo (Paulinas, 2012)
. Aspectos pedagógicos da religiões: a dimensão pedagógica da espiritualidade (Paulinas, 2012)
. O resgate da espiritualidade no cotidiano (SOTER / Paulinas, 2014)

Artigos em periódicos:

. Deus, fonte e senhor da vida (Família Cristã, 1994)
. O desafio da mística comparda (Ciberteologia, 2007)
. Rûmî: um dos místicos mais abertos à cortesia e hospitalidade inter-religiosa (Cadernos IHU em Formação, 2008)
. Rûmî é o poeta da dança da unidade (Cadernos IHU em Formação, 2008)
. Mística comparada: semelhanças na diferença (Cadernos IHU em Formação, 2008)
. O mistério e a palavra (Poesia Sempre, 2009)
. O sentido místico da consciência planetária ( REB, 2010)
. A dimensão espiritual do diálogo inter-religioso (Tempo Brasileiro, 2010)
. Espiritualidade e interreligiosidade (Convergência, 2011)
. A fragrância plural do sufismo: Ibn ´Arabi e a abertura inter-religiosa (Atualidade Teológica, 2011)
. A espiritualidade zen budista (Horizonte, 2012)
. O itinerário místico de Ernesto Cardenal (REB, 2013)

            Num segundo bloco, aparecem primeiramente os artigos que abordam a questão da teologia e o mundo acadêmico, envolvendo também os temas relacionados com a teologia da libertação:

Livros:

. Cristianismos e teologia da libertação (Fonte Editorial, 2014)

Livros organizados:

. Teologia da libertação: novos desafios (Paulinas, 1991)
. A(s) ciência (s) da religião no Brasil: afirmação de uma área acadêmica (Paulinas, 2001)[18]

Capítulos de livros:

. O lugar da teologia na (s) ciência (s) da religião (Paulinas, 2001)
. Teologia da libertação: eixos e desafios (CEBI, 2006)
. Ciências da religião e ensino do religioso (Paulinas, 2006)
. Cultivo da formação e a vida intelectual (Paulinas, 2012)
. Ciência da religião e teologia (Paulinas/Paulus, 2013)

Artigos em periódicos:

. A dimensão política da fé (Revista de Cultura Vozes, 1982)
. A teologia no tempo (Tempo Brasileiro, 2009)
. O “ensino do religioso” e as ciências da religião (Horizonte, 2011)
. Teologia pluralista de la liberación: mas allá del inclusivismo (Alternativas, 2012)
. Contributions of Buddhist Thinking to Liberation Theology (Voices - Theological Journal of EATWOT, 2013)
. João Batista Libânio: a eterna cadência da fé (Perspectiva Teológica, 2014)

            Por fim, os artigos que se situam no campo da sociologia da religião e áreas afins:

Livros organizados:

. Sociologia da religião: enfoques teóricos (Vozes, 2003)[19]
. As religiões no Brasil: continuidades e rupturas (em co-autoria com Renata Menezes – Vozes, 2006)
. Catolicismo plural: dinâmicas contemporâneas (em co-autoria com Renata Menezes – Vozes, 2009)
. Religiões em movimento: o Censo de 2010 (em co-autoria com Renata Menezes – Vozes, 2013)

Capítulos de livros:

. Peter Berger e a religião (Vozes, 2003)
. Faces do catolicismo brasileiro contemporâneo (Vozes, 2009)
. Religião e busca de significado (Hucitec, 2011)
. O Censo de 2010 e as religiões no Brasil (Vozes, 2013)
. Pluralismo religioso e ecumenismo na América Latina (Urbaniana, 2014)

Artigos em periódicos:

. O sagrado em novos itinerários (Vida Pastoral, 2000)
. O campo religioso em Juiz de Fora (Religião e Sociedade, 2003)
. Análise sócio-fenomenológica do pluralismo religioso no Brasil (REB, 2012)
. Igreja católica em época de transição (Estudos de Religião, 2013)
. Os dados sobre religiões no Brasil em debate (Debates do NER, 2013)
. Un campo religioso in trasformazione. Il censimento del 2010 e le religioni in Brasile (Studi Ecumenici, 2013)
. O Deus da prosperidade: desconstruindo imagens (Concilium, 2014/4 – publicado em seis línguas: inglês, alemão, italiano, espanhol, Croata e português)
. Campo religioso em transformação (Comunicações do Iser, 2014)
. Lo scenario religioso globale (Missione Oggi, 2014)

Apresentações de Livros (alguns destaques):

. Apresentação da obra de Tomás de Kempis. A imitação de Cristo: tanto na edição publicada pela Vozes (2009), como na edição publicada no O Lutador (2014), organizada por Henrique Cristiano José Matos.
. Apresentação do livro de Danièle Hervieu-Léger, na edição brasileira publicada pela Vozes (2008).
. Apresentação do livro da mística beguina, Marguerite Porete (O espelho das almas simples), publicado pela Vozes em 2008 – na tradução de minha orientanda de pós-Doutorado: Silvia Schwartz.
. Apresentação do livro de João da Cruz, A noite escura, na tradução da Vozes (2008).
. Apresentação do livro de John Hick, teologia cristão e pluralismo religioso, na edição brasileira da Attar (2005)
. Apresentação do livro de Claude Geffré, Crer e interpretar. A virada hermenêutica da teologia, na tradução da Vozes (2004)

            Além destas produções elencadas devo ainda acrescentar outras: artigos em jornal de notícias (89 produções), artigos em revistas-magazine (51 produções) e demais produções bibliográficas, como introduções, prefácios, apresentações, resenhas e  organização de revistas (43 produções). Dentre as produções que se encontram no prelo: um livro organizado com Marco Lucchesi, sobre a mística de Angelus Silesius – incluindo a tradução de 40 dísticos do Peregrino Querubúnico -, com previsão de publicação para o primeiro semestre de 2015 (com o título: Moradas. Editora Martelo, Goiânia); 1 capítulo de livro sobre o tema: Thomas Merton e o canto das coisas (Mertonianum 100), com previsão de publicação para janeiro de 2015; 3 verbetes para o Dicionário sobre o Vaticano II (Revista Concilium; Religião/Religiões; Guerra e Paz), que se encontra em fase de finalização pela editora Paulus; verbete sobre Experiência Religiosa: abordagem das ciências da religião, na Theologica Latinoamericana. Enciclopédia Digital; 1 artigo para a Revista Horizonte (PUC-MG): A salvaguarda da diversidade e a defesa da criação, prevista para publicação em janeiro de 2015; 1 artigo para a Revista Convergência (CRB): O campo religioso brasileiro no Censo de 2010, com previsão de publicação em início de 2015.

            Neste repertório existencial, busquei sempre articular minhas atividades acadêmicas no magistério teológico com as pesquisas que vão ganhando a cada dia um maior espaço em minha vida, assim como as atividades de orientação na pós-graduação, pelas quais nutro um enorme carinho. Mantenho meu vínculo de pesquisa junto ao CNPQ e também as atividades de assessoria vinculadas ao núcleo do ISER-Assessoria no Rio de Janeiro, ao qual estou ligado há décadas. Vale também registrar o meu envolvimento com o Grupo de Emaús, que é uma comunidade de amigos vinculados a um semelhante engajamento existencial, religioso e social. É um grupo que nasceu na década de 1970, agregando amigos envolvidos num sonho comum de transformação da sociedade e das igrejas. No início, faziam parte os teólogos, pastoralistas e agentes que buscavam dar organicidade à reflexão teológica e pastoral em sintonia com os grandes desafios do tempo. Entre os nomes presentes naquele momento inaugural: frei Betto, Ivo Lespaupin, Leonardo Boff, João Batista Libânio, Carlos Mesters, Oscar Beozzo, Jether Ramalho e outros. Com o tempo foram se agregando novos membros, com o colorido de seus vários saberes: filosofia, história, teologia, ciências sociais. Como assinalou Leonardo Boff em depoimento sobre o grupo: “Íamos afinando uma perspectiva que acabou sendo patrimônio comum do grupo: arrancar sempre do real, a inserção pessoal nele (a ´cosa nostra`), o tipo de reflexão que fazíamos de viés analítico-crítico e por fim suas implicações teológicas, eclesiais e espirituais”. Minha inserção no grupo se deu da década de 1990, junto com outros amigos. O interessante é constatar que iniciativas importantes na vida das igrejas no Brasil nasceram também inspiradas e motivadas na reflexão desse grupo, como os Encontros Intereclesiais de CEBs, o CEBI e o CESEP.

            Quanto à produção técnica ou apresentação de trabalho e palestra, sublinho a minha atuação de consultoria junto à CAPES e ao MEC-SESU, respectivamente no trabalho de avaliação dos cursos de pós-graduação ligados à sub-área de teologia e ciências da religião e nos processos de solicitação de credenciamento dos cursos de teologia e ciências religiosas. Passos que já foram sublinhados ao longo do memorial.

Destaco ainda inúmeras assessorias, cursos ou conferências dadas ao longo de minha vida profissional, também elencadas no Currículo Lattes[20]:

            * Universidades, Institutos Universitários, Programas de Pós-Graduação

-       Universidade Federal de Juiz de Fora
-       Universidade Federal do Rio de Janeiro
-       Universidade Federal Fluminense
-       Universidade Federal do Ceará
-       Universidade Federal de São João del Rei
-       Fundação Getúlio Vargas
-       Universidade do Rio dos Sinos (UNISINOS)
-       Universidade Regional do Cariri (URCA)
-       Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus (CES), agora nomeado Facudades dos Jesuítas (FAJE)
-       Pontifícia Universidade Urbaniana (Roma)
-       Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
-       Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
-       Pontifícia Universidade Católica de Campinas
-       Pontifícia Universidade Católica do Paraná
-       Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
-       Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
-       Universidade Estadual do Pará (UEPA)
-       Universidade Regional do Cariri (URCA)
-       Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
-       Universidade Católica de Brasília
-       Universidade Cândido Mendes
-       Universidade Católica de Pelotas
-       Universidade Católica de Goiás
-       Universidade Metodista de São Paulo
-       Faculdades Integradas Claretianas
-       Istituto di Studi Ecumenici S.Bernardino – Florença, Itália
-       Instituto Franciscano Teológico de Petrópolis
-       Instituto Teológico de São Paulo (ITESP)
-       Instituto Teológico de Santa Catarina (ITESC)
-       Instituto Teológico de Londrina
-       Instituto de Teologia de Ilhéus
-       Instituto Teológico Pastoral do Ceará
-       Instituto Teológico Arquidiocesano de Juiz de Fora (ITASA)
-       Instituto Filosófico Teológico da Arquidiocese de Vitória (IFTVA)
-       Instituto São Tomás de Aquino (ISTA)
-       Instituto Universidade Popular (UNIPOP)
-       Studium Theologicum de Curitiba
-       Centro Universitário CESMAC – Maranhão
-       Centro de Estudos Superiores – Juiz de Fora
-       Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)
-       Pontifícia Universidade  Urbaniana (Roma)

* Conferências de Bispos e Religiosos, Congregações e Institutos Religiosos

-       Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
-       Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB)
-       Ordem dos Jesuítas (Companhia de Jesus)
-       Ordem dos Dominicanos
-       Ordem dos Franciscanos
-       Ordem dos Franciscanos Conventuais
-       Ordem dos Capuchinhos
-       Congregação Redentorista
-       Congregação do Verbo Divino
-       Irmãos Maristas
-       Província Marista Brasil Centro-Norte
-       Instituição Teresiana
-       Pia Sociedade de São Caetano
-       Missionários Palotinos
-       Irmãs Servas do Espírito Santo
-       SEDOS – Service of Documentation and Studies on Global Mission

Colégios e Instituições de Ensino

-       Colégio dos Jesuítas, JF
-       Colégio Cristo Redentor, JF
-       Colégio Stela Matutina, JF
-       Colégio Loyola, BH
-       Colégio Santo Inácio, RJ
-       Colégio Sion, Curitiba
-       Colégio Teresiano, RJ
-       Colégio Santa Teresa, RJ
-       Colégio Marista, ES
-       Colégio Catarinense

* Organizações não Governamentais (ONGs) e  outros

-       Centro Loyola Fé e Cultura (Rio de Janeiro e Belo Horizonte)
-       Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP)
-       Instituto de Estudos da Religião (ISER) - RJ
-       ISER-Assessoria – RJ
-       Instituto de Pastoral Regional (IPAR), PA
-       FONAPER
-       Centro de Estudos Bíblicos (CEBI)
-       Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
-       Centro Ecumênico de Evangelização, Capacitação e Assessoria (CECA)
-       Instituto Italiano de Cultura, RJ
-       Núcleo de Assessoria, Treinamento e Estudos em Saúde (NATES – UFJF)
-       Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC)
-       Ampliada Nacional das CEBs
-       Centro de Documentação e Informação (CEDI)
-       Agência de Notícias Carta Maior
-       Espaço Cultural CPFL – Campinas, SP
-       Academia Brasileira de Letras (ABL)

* Igrejas e Dioceses

-       Diocese de Itapeva
-       Diocese de Valença
-       Diocese de Ihéus
-       Arquidiocese de Vitória
-       Arquidiocese do Belo Horizonte
-       Arquidiocese de São Paulo
-       Diocese de Volta Redonda e Barra do Piraí
-       Diocese de Picos
-       Prelazia de Marabá
-       Prelazia de São Felix do Araguaia

            No âmbito das orientações e supervisões, assinalo que ao longo de minha atuação acadêmica orientei diversas dissertações de mestrado, desde a época em que lecionava na PUC-RJ. Até o presente momento, foram 29 dissertações de mestrado defendidas sob minha orientação. Com respeito ao doutorado, foram 14 teses defendidas sob minha orientação, e outra como co-orientador. Estive também na supervisão de um projeto de pós-doutorado, concluído na UFJF. No momento, estou orientando 5 alunos no Mestrado, 4 alunos no doutorado e supervisionado 3 pesquisadores no estágio de Pós-Doutorado.

Das teses doutorais defendidas sob minha orientação duas foram vencedoras do Prêmio SOTER-Paulinas de melhor tese na área de teologia e ciências da religião. A primeira, de Carlos Frederico Barboza de Souza, com resultado divulgado durante o 22º Congresso Internacional da SOTER – 2009. A tese foi publicada pela editora Paulinas (SP) em 2010, com o título: A mística do coração. A senda cordial de Ibn´Arabi e João da Cruz.  A segunda, de Paulo Agostinho Nogueira Batista, com resultado divulgado durante o 23º Congresso Internacional da SOTER – 2010. A tese foi publicada pela editora Paulinas (SP) em 2011, com o título: Libertação e teologia. A teologia teoantropocósmica de Leonardo Boff. Outra tese doutoral defendida sob minha orientação, de Silvia Schwartz, foi premiada em 2005 com menção honrosa no Prêmio Capes de Teses. O título da tese: A beguine e al-shayk. Um estudo comparado da aniquilação mística em Marguerida Porete e Ibn´Arabi (PPCIR, 2005). Outras duas teses doutorais sob minha orientação foram também publicadas:  a tese de Rodrigo Coppe Caldeira - Os baluartes da tradição: O conservadorismo católico brasileiro no Concílio Vaticano II. Curitiba: CRV, 2011; e de Sibélius Cefas Pereira. Thomas Merton contemplação no tempo e na história. São Paulo: Paulus, 2014.

            Quanto à gestão acadêmica, depois de dez anos atuando na coordenação do programa de pós-graduação em ciência da religião, a partir do período da criação do mestrado, em 1993, permaneci em seguida atuando exclusivamente na docência e nas tarefas de orientação[21]. Há cerca de dois anos, desde 2012, assumi a coordenação do curso de especialização em ciência da religião[22], um trabalho que vem se somar às outras atividades em curso.

            Ao final desse exercício de memória, difícil e complexo, busco resgatar passagens da vida que talvez escapem de minha reflexão. Gostaria de ser, de certa forma, como aquele personagem de Jorge Luis Borges, Funes, que tinha uma memória exemplar: “Não só recordava cada folha de cada árvore de cada monte, como também cada uma das vezes que a tinha percebido ou imaginado”. Mas, coitado, acabou morrendo de congestão pulmonar. No limiar dos sessenta, a memória já começa a falhar, mas é claro que permanecem vivas as recordações mais ricas de uma trajetória que se revela positiva, sobretudo pelas intuições, projetos e presenças que foram se firmando em meu caminho. Destaco aqui a importância dessas presenças, sobretudo dos amigos e queridos que iluminam e dão significado ao meu momento atual. Mas também dos grandes sonhos que sempre alimentaram a minha vida. Assinalo o resultado como muito positivo, favorecido pela minha ocular otimista. As evidências que acumulo, nesse “edifício imenso da recordação”, vão no sentido da percepção de um “sabor” que guarda felicidade.

O ritmo de  minha vida foi sendo conduzido progressivamente para dois campos que marcam o meu atual modo de inserção no tempo: a paixão pelo diálogo e a abertura para a mística inter-religiosa. O grande místico cristão, Teilhard de Chardin, dizia numa de suas clássicas obras, O meio divino, que “nada é profano para quem sabe ver”.

Quando leio alguns textos, como a bela reflexão do amigo querido e parceiro de vida e publicações, Marco Lucchesi, publicada no início de dezembro no O Globo[23], sinto-me plenamente identificado:

“O diálogo deve ser uma zona de passagem, um espaço potencial, uma cartografia inacabada, a que aderem as partes, ciosas de sua identidade, convidadas a pensarem sob uma nova luz. Sem proselitismo. Não para reduzir o outro, não para o convencer de que está errado, mas para aprender com ele , num caminho novo. O diálogo é um ponto de luz, uma porta de saída para o impasse, um gesto solidário. E o centro do diálogo reside na acolhida, na beleza do rosto que contemplo, no olhar do outro que me indaga e me convida a mover os lábios”.

Acredito que o meu olhar foi sendo aos poucos depurado e o meu jeito de lidar com as coisas também. Novos valores entraram no meu repertório como essenciais: a hospitalidade, a delicadeza, o cuidado, a atenção, a gratuidade. Esses valores foram tecendo os traços que pontuam a dinâmica de minha inserção. E também na academia, ou seja, no modo de levar os cursos, de apresentar as disciplinas, de corresponder com os meus colegas de trabalho e de lidar com os alunos: tudo isso temperado agora pelo “brilho de uma vitalidade” que está para além da mera inteligência ou erudição. A inteligência, dizia Proust, “só é boa quando vem depois”, fundada num longo e sutil aprendizado pontuado pelas marcas da nossa vida. Sobretudo nesse último ponto, a relação com os alunos, e em particular com os orientandos, foi onde aconteceram as mais lindas descobertas. Diria que sou outro nessa forma de lidar com os mais jovens, um caminho que foi sendo paulatinamente temperado com uma pedagogia da atenção, da escuta e do aprendizado. Algumas experiências vividas, como a da assessoria no Forum Social Mundial de Porto Alegre, em 2005, serviram como ponto de arranque para essa nova atitude e essa nova sensibilidade. Atribuo também a isso a minha convivência diuturna com os textos e narrativas dos grandes místicos, de tradições tão distintas, que envolvem o cristianismo, o islamismo (sufismo) e o zen budismo. Experiências corroboradas por encontros tão ricos e diversos com outros companheiros ou companheiras que se envolvem na mesma causa, com alegria e maravilhamento. Chego, assim, aos 60 anos, 36 dos quais dedicados ao ensino universitário, com a feliz sensação de um dever cumprido. Esse otimismo e alegria que marcam o meu presente momento, vejo também estampado no rosto daqueles que circulam pelo meu caminho. É na dinâmica dessa reciprocidade que se fundam e irradiam essas novas fragrâncias. Atribuo também à minha família o impulso mais lindo para esse entusiasmo de levar a vida, e muito em particular à minha companheira querida de tantos anos, Teita, e aos quatro filhos e neta que adornam de esperança toda essa caminhada: Pedro, João, Tiago, Daniel e Lis.

Concluo com uma passagem da Aula Inaugural de Roland Barthes no Colégio de França, em janeiro de 1977:

“Há uma idade em que se ensina o que se sabe; mas vem em seguida outra, em que se ensina o que não se sabe: isso se chama pesquisar. Vem talvez agora a idade de uma uma outra experiência, a de desaprender, de deixar trabalhar o remanejamento imprevisível que o esquecimento impõe à sedimentação dos saberes, das culturas, das crenças que atravessamos. Essa experiência tem, creio eu, um nome ilustre e fora de moda, que ousarei tomar aqui sem complexo, na própria encruzilhada de sua etimologia: Sapientia: nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria, e o máximo de sabor possível”[24].

Juiz de Fora, 19/12/2014





[1] Publicado na Revista Numen (PPCIR-UFJF) v.18, n. 1 – 2015, com o título: Cores de um itinerário  (Memorial).
[2] Memorial defendido  no ICH da Universidade Federal de Juiz de Fora, em 19 de dezembro de 2014 visando o título de Professor Titular. A banca examinadora foi composta pelos professores titulares: Rubem Barbosa Filho (UFJF), Carlos Roberto Drawin (FAJE-BH), Lucília de Almeida Neves Delgado (UNB) e Eduardo Rodrigues da Cruz (PUC-SP).
[3] Suely ROLNIK. Pensamento, corpo e devir. Uma perspectiva ético/estético/política no trabalho acadêmico. Cadernos de Subjetividade, n. 2, p. 246, 1993 (PUC-SP).
[4] Assinalo num artigo sobre a experiência da ciência da religião em Juiz de Fora sobre a ciranda de nomes que o curso foi ganhando ao longo do tempo, até firmar-se com o nome atual de ciência da religião. Cf. Faustino TEIXEIRA. O processo de gênese da (s) ciência (s) da religião na UFJF. Numen, v. 15, n. 2, p. 535-548, jul-dez 2012.
[5] A meu ver, um dos trabalhos mais ricos de informação e análise de conjuntura existentes hoje no país.
[6] Clodovis BOFF. Teologia e prática. Teologia do político e suas mediações. Petrópolis: Vozes, 1978.
[7] Foi Luiz Alberto Gómez de Souza quem escreveu o prólogo de um dos volumes de minha tese doutoral, sobre a história das CEBs no Brasil (Paulinas, 1988).
[8] Bibliografia que, infelizmente, não compareceu nos volumes da tese depois publicados no Brasil.
[9] Na Universidade Santa Úrsula lecionei as seguintes disciplinas: História da Igreja V (1981), Antropologia Teológica II (1981 e 1987), Eclesiologia (1981, 1982, 1986 e 1989), Introdução à teologia (1986-1989), Metodologia Teológica (1988-1989), Teologia Fundamental (1986), Seminário de Temas Especiais (1986), Pastorais Específicas (1986), Sociologia da Religião (1986-1987), Formação da Consciência Crítica (1989) e Realidade Brasileira e Fé Cristã (1989).
[10] Faustino TEIXEIRA. Teologia das religiões. Uma visão panorâmica. São Paulo: Paulinas, 1995. O livro ganhou edições em catalão e espanhol: Teologia de les religions. Barcelona: Claret, 2002; Teología de las religiones. Quito: Aya Yala, 2005.
[11] Ver a respeito: Faustino TEIXEIRA. Uma teologia de amor ao pluralismo religioso. In: Afonso Maria Ligório SOARES (Org.) Dialogando com Jacques Dupuis. São Paulo: Paulinas, p. 181-200,  2008. E outro artigo meu na mesma obra: O pluralismo inclusivo de Jacques Dupuis (p. 153-177).
[12] Os dados aqui serão sintetizados, uma vez que sua apresentação mais detalhada já está presente no currículo lattes.
[13] Com a inclusão de toda a bibliografia da tese.
[14] Revista Eclesiástica Brasileira.
[15] Segunda edição aumentada.
[16] Os artigos publicados na Revista Internacional de Teologia, Concilium, são publicados em seis línguas: português, espanhol, inglês, francês, alemão e holandês.
[17] Livro que ganhou o prêmio Mário Barata, de crítica e interpretação – União Brasileira de Escritores – RJ.
[18] Já em segunda edição.
[19] Já na sua quarta edição.
[20] Ver no Currículo Lattes: Trabalhos Técnicos, Demais Trabalhos Técnicos, mas também Apresentação de Trabalhos e Palestras, na Produção Bibliográfica.
[21] Durante minha gestão na coordenação do PPCIR atuei também no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade Federal de Juiz de Fora (CEPE), no Conselho de Pós-Graduação da UFJF, assumindo um período a presidência da Câmara de Pós-Graduação do CEPE da UFJF.
[22] Fui também coordenador do curso especialização, por cinco anos, por ocasião de sua fundação, entre os anos de 1991 e 1995.
[23] Marco LUCCHESI. Guerras de religião. O Globo, 03/12/2014, p. 17.
[24] Roland BARTHES. Aula. 15 ed. São Paulo: Cultrix, 2007, p. 45.

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